Resumo: Confecções de Juruaia, Santa Cruz do Capibaribe e Cianorte vendem mais no digital porque precisaram se adaptar. Sem fluxo de loja garantido, desenvolveram processos de venda ativa que confecções de SP ainda não têm. A necessidade acelera a inovação.

Existe um paradoxo interessante no mercado de moda atacadista brasileiro: enquanto São Paulo concentra o maior volume de vendas presenciais, confecções de polos menores estão vendendo proporcionalmente mais através de canais digitais.

Juruaia. Santa Cruz do Capibaribe. Cianorte. Divinópolis. Fortaleza. Esses nomes podem não ter o glamour do Brás, mas estão silenciosamente dominando um jogo que muitas confecções paulistas ainda não entenderam.

O motivo? Necessidade. E necessidade é a mãe da inovação.

O paradoxo do fluxo garantido

Confecções do Brás e Bom Retiro têm um "problema" que a maioria sonharia em ter: filas na porta. Segundas e terças, lojistas de todo o Brasil lotam as lojas. É fácil ficar confortável quando o cliente vem até você.

Já confecções de outros polos não têm esse luxo. O fluxo presencial existe, mas não é suficiente para sustentar o crescimento. Cada cliente conta mais. Cada oportunidade precisa ser maximizada.

Percepção: Seu vendedor não está ocupado demais para fazer follow-up. Ele simplesmente não tem processo. Dar lista de clientes sem cadência é como dar GPS sem destino.

Essa pressão forçou confecções fora de SP a desenvolverem algo que muitas paulistas ainda não têm: processo de venda ativa.

O que os números mostram

78,78%
das empresas B2B usam WhatsApp para geração de leads
3,12%
taxa de conversão com WhatsApp vs 2,52% sem

Fonte: Panorama Leadster 2025

Esses números contam uma história clara: quem usa WhatsApp de forma estruturada converte mais. E confecções que dependem do digital aprenderam isso antes.

Os polos de moda que lideram a digitalização

O Brasil tem mais de 27 mil empresas de confecção distribuídas em 137 polos têxteis. Mas alguns se destacam pela adoção de tecnologia:

Polo Especialização Nível de Digitalização
Santa Cruz do Capibaribe (PE) Moda popular, jeans Alto - investindo em IA e digitalização
Juruaia (MG) Moda íntima (capital nacional) Alto - forte presença digital
Cianorte (PR) Jeans e moda casual Médio-alto - catálogos digitais
Fortaleza (CE) Moda praia, fitness Alto - novo polo atacadista 2025
Brás/Bom Retiro (SP) Multisegmento Variável - depende da confecção

Fontes: Audaces, Polo da Moda Santa Cruz

Segundo o Polo da Moda de Santa Cruz, a cidade já está investindo em novas tecnologias, como digitalização dos processos e inteligência artificial para prever tendências de moda.

O que confecções digitalizadas fazem diferente

Acompanhando centenas de confecções no Tailor, identificamos um padrão claro entre as que mais crescem:

5 práticas das confecções tech-savvy

1 CRM integrado ao WhatsApp - todas as conversas centralizadas, histórico acessível
2 Cadência de follow-up automatizada - sistema avisa quando chamar cada cliente
3 Catálogo digital - link leve em vez de PDF de 50MB que trava o celular
4 Alertas de clientes inativos - saber quem vai parar de comprar antes que aconteça
5 Atendimento fora do horário - IA ou automação respondendo 24/7

O que confecções de SP estão perdendo

Aqui está o ponto que poucos percebem: confecções do Brás e Bom Retiro estão sentadas em uma mina de ouro de clientes que já conhecem a marca, já compraram, já confiam.

Mas estão perdendo esses clientes por falta de processo digital.

Enquanto o vendedor do Brás espera o cliente voltar na próxima segunda, o vendedor de Juruaia - que nunca viu esse cliente presencialmente - está vendendo para ele pelo WhatsApp.

Segundo dados internos do Tailor, 67% dos clientes B2B que param de comprar o fazem por falta de contato, não por insatisfação. Eles simplesmente compram de quem apareceu primeiro.

A matemática do cliente esquecido

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Como começar a digitalização

Se você está em SP com fluxo de loja forte, a boa notícia: você tem uma vantagem que confecções de outros polos gostariam de ter. Clientes que já te conhecem.

A má notícia: se você não ativar esses clientes digitalmente, vai perder para quem faz isso.

Primeiro passo: mapeie sua base

Antes de qualquer ferramenta, responda:

Só com essas 3 respostas você já sabe o tamanho da oportunidade.

Segundo passo: estruture o processo antes da ferramenta

Tecnologia sem processo é só custo. Defina:

Terceiro passo: escolha ferramenta que automatize o processo

Com o processo definido, a ferramenta certa faz o trabalho pesado. Um CRM especializado para atacado deve:

Conclusão

Não é sobre ter ou não ter fluxo de loja. É sobre ter ou não ter processo.

Confecções de polos menores entenderam isso por necessidade. Confecções de SP podem entender por estratégia - e sair na frente da concorrência que ainda depende só do presencial.

Tecnologia não substitui relacionamento. Potencializa. E quem entendeu isso primeiro foram justamente os que mais precisavam.

A pergunta é: você vai esperar precisar, ou vai agir enquanto ainda é uma vantagem competitiva?

AF

André Ferreira

Especialista em vendas B2B e tecnologia para o mercado de moda. Diretor do Tailor, o CRM que ajuda confecções a vender mais com automação inteligente.

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